quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mary Oliver


The Uses of Sorrow

(In my sleep I dreamed this poem)

Someone I loved once gave me
a box full of darkness.

It took me years to understand
that this, too, was a gift.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

vai


"...Amar não basta.
Enquanto escrevo, não sei se ele está num abismo. Me faz pensar se, por algum motivo, Deus não pode ouvir minhas orações agora.
Quando o conheci, seus olhos eram cheios de luzes. Quando estávamos juntos, sem balbuciar qualquer palavra, absorvíamos os pensamentos um do outro. Então, ele me olhava com ternura, me fazendo sentir que era ele o companheiro que a vida me trouxe.
Este homem, protetor e leal, tem um sorriso que ultrapassa todos os limites e tudo o que jamais senti na vida. Um sorriso que me acalmou diversas vezes enquanto eu só clamava cuidado. Um sorriso que permaneceu estampado enquanto eu sofria o processo doloroso de entregar minha alma para ele. Um sorriso que me aterrorizou quando passei por ele e ele me fez um cafuné como sinal de despedida.
Cheguei a desejar este sorriso pela eternidade. Mas este homem que me ofereceu terra firme também sabe voar. Talvez ele não volte para mim, mas espero que voe destemido, nutrido pelo mesmo sonho que me fez iniciar esta história..."

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)


Vamos ser francos: nosso problema não é sexo. Isso se arranja com facilidade. O que nos exaspera são as relações que estabelecemos a partir do sexo, ou apesar dele. O que nos sufoca é aquilo que se faz antes e depois de transar. A pessoa que fica ali – ou que gostaríamos que ficasse, mas não fica – constitui nosso maior problema, e talvez nossa única solução. 
Estar com alguém mais do que ocasionalmente, porém, constitui um desafio insolúvel – tanto quanto um prazer imensurável. 
As pessoas têm manias, têm temperamento, têm hábitos que nos incomodam. Elas reclamam de tudo, pateticamente. Elas se enfurecem com tudo, histericamente. Elas têm problemas, opiniões, desejos, amigos. Elas são lindas e nos causam ciúme. Elas são controladoras e nos irritam. Elas podem ser frívolas e indiferentes. Frequentemente mergulham nelas mesmas e nos deixam entregues às apreensões e receios. Às vezes queremos que sumam, morram, pelo-amor-de-deus desapareçam. No outro dia acordamos sem elas e o coração perde duas batidas, de medo. 

Na verdade, sofremos de sentimentos demais. Eles transbordam, excedem, afogam. Seria infinitamente mais simples se fôssemos como os outros. Veja o casal do elevador, o professor de natação e a namorada dele. Obviamente felizes, simples, calmos. Trocam duas palavras e um olhar entre o quinto e o térreo. Gente bem resolvida. É impossível que ela chore de noite por temer que ele não a ame. Evidentemente ele não se isola diante da televisão e tenta aplacar os nervos vendo um filme inútil. Eles certamente nunca se metem em discussões dolorosas. Sabem o que fazer deles mesmos e do seu amor. Eles têm as respostas. As criaturas esquisitas somos eu, você e os nossos parceiros. Eles, os outros, são simples e felizes. Gente bem resolvida. 

Gostaríamos que não fosse assim, claro. Preferiríamos ser gente simples, composta, direta. Em vez de todas as memórias dolorosas que trazemos conosco, paz. Em vez da confusão de planos e aspirações, clareza. Nada de turbulência submersa, nenhuma recordação inconfessável, apenas superfície indevassável e tranquila, como um lago. Os sentimentos são o nosso principal problema, claramente. Estamos encharcados deles. Sentimentos de toda espécie, misturados. Você olha para aquela pessoa que abriu a porta e eles afloram, conturbados. Quanta aflição não esconde um abraço? A gente então conversa, e a confusão reflui. A gente espanta o assombro com a nossa voz e o nosso riso. A trivialidade nos resgata como um bote salva vidas. Nos olhos da mulher que a gente ama há uma praia tranquila onde a gente ancora – até que o mar no interior dela se agite e a paz efêmera se perca. De novo. 

Imagine deslizar a mão pelo corpo macio dela sem que a cabeça esteja tomada por ideias conflitantes. Que genial fazer amor sem que nele se projete, num rosnado, o velho arsenal de ressentimentos que parece ter nascido conosco. O sexo então seria puro, biológico, em vez de uma batalha épica entre o bem e o mal, entre o público e o privado, entre o certo e o errado que nos habitam. E, depois do prazer, enrolar-se cheio de ternura e de angústia agridoce naquela criatura que ofega. Sentir-se pai, filho, irmão, apaixonado, opressor-filho-da-puta, canalha, marido. O que mais? 
Os sentimentos não nos largam, indecifráveis. O carro trafega a 40 km por hora, numa alameda ensolarada, e a lembrança de um certo olhar pungente quase nos leva às lágrimas. De onde vem essa emoção? Certamente da música, um samba travesso de Chico Buarque que nos conecta a tudo e a todos, num momentâneo abraço cósmico pós-eleitoral. Somos todos irmãos, ela me ama, a morte mora numa toca no fim da eternidade, tudo é lindo. 
Sejamos francos: nosso problema não é sexo, é amor. Encontrá-lo, conquistá-lo, torná-lo parte da nossa vida e, ao final, talvez, detestá-lo. Nosso problema é preservar esse amor em meio à tempestade de trovões dos nossos sentimentos. Cuidar para que o fascínio físico dos primeiros dias não se perca, evitar que a confiança que vem depois não nos cegue de tédio. Nossa tarefa, gigantesca, é fazer com prazer – e com o mínimo de sanidade – as coisas que se fazem antes e depois de trepar. A pessoa que fica ao nosso lado nesse intervalo é nosso maior problema, e talvez a única solução. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

hole in my soul


I'm down a one-way street
With a one-night stand, With a one track mind
Out in no-man's land
(The punishment sometimes don't seem to fit the crime)

Yeah there's a hole in my soul
But one thing I've learned
For every love letter written
There's another one burned
(So you tell me how it's gonna be this time)...

Continua... ♫ ♫

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

rascunho

Nunca discreto.
Foi embora da mesma forma que veio, causando estrago e confusão.
O email fica sem mandar.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

eu confesso.

Você me confessou uma saudade. Pequenina, mas confessou.
E como não retribuí me perguntou se eu também...
Se eu também?
Confessei meio como se não tivesse importância e a verdade é que morro de saudade.
Mas morro mesmo. Um pouquinho a cada dia.

Ela era menor quando não fazia mais idéia de como era a sua voz, o seu cheiro, o seu gosto, o seu toque.

Todas as saudades doem. Não quero menosprezar nenhuma.
Mas tem aquela saudade consentida, que por mais que traga a falta, traz a certeza de um logo.

Saudade pior é aquela de não saber.

Não saber se ainda estrala as costas daquele jeito. Não saber se ainda usa as roupas que eu dei. Não saber se ainda tem as nossas fotos. Não saber se relê as minhas cartas. Não saber se ainda sorri de lado e se marcou a terapeuta. Não saber que cigarro você fuma, nem se ainda usa aquele perfume que às vezes sinto em outro e me aperta o coração.

É não saber também o que fazer com os pensamentos, com os dias, com as lágrimas, com aquela música que faz lembrar.

É não querer saber. Se está com alguém, se está feliz, se ela é bonita.

Mas é querer saber se ainda me ama.

tic tac

Esperar é desejar sem fruir, sem saber e sem poder.

Descobri que se eu te deixar de lado, você dói menos.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Fratura Exposta


Eu quero ser o teu problema, por Vitória de Melo Bispo
Nada de amor heroico, bonito e comovente. Deixo as filosofias otimistas para quem acredita nelas. Eu quero ser a tua insegurança, o teu objeto de desejo que te faz achar que você só tem defeitos _e que certamente não me merece. Eu quero ser o amor intruso, entrão, inconveniente; invadir o teu pensamento quando um amor menos complicado teimar em se aproximar. Eu quero ser quem te faz procurar terapias; quero ser relatado a um psicólogo. Nada de rendas brancas, vestidos de noiva, taças cruzadas.
Eu quero ser quem te faz sair dos lugares comuns, abandonar jantares importantes e festas com seus melhores amigos. Eu quero ser a ligação às três da madrugada e te confundir inteira quando você achar que já não quer tanto assim. Também quero ser o telefone que não toca no dia seguinte. Eu quero ser tuas unhas roídas, tua mania constante de mexer no cabelo, tua síndrome das pernas inquietas. Eu quero ser a resposta monossilábica para tua declaração. Eu quero marcar um encontro, uma conversa, um café e, de última hora, desmarcar _e numa eventual nova possibilidade de encontro, ver você me esperar outra vez. Nada de fotos, flores, músicas de nós dois.
Eu quero ser o teu eterno caso, a lembrança que você lamenta. Eu quero deixar explícito o meu descaso e te ver, ainda assim, se importando comigo. Eu quero te desfilar como um troféu perante aqueles que um dia te quiseram e, em casa, te colocar no lugar mais ignóbil de minha estante. Eu quero ser as cartas que você não consegue jogar fora; a mentira que você não se cansa de acreditar; a saudade que emudece.
Eu quero ser os textos que você escreve de madrugada, tua tentativa desesperada de não enlouquecer. Quero ser a tua insônia, a tua insanidade. Teu susto, teu único assunto. Você Julieta, eu Romeu que não morreu. Eu quero rir da hipótese de um futuro nosso, ver você me odiar por um minuto e voltar a me amar com toda sua raiva logo depois. Eu quero ser as perguntas que você evita se fazer. Quero ser o seu medo de não aguentar.
Eu quero ser o teu problema, garota. Não por capricho. Não por um motivo pífio.
Eu quero ser o teu problema desde que você se tornou o meu.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

potinho quebrado

Hoje faz dois anos que o avião saiu na hora, sem dó de mim.

O abraço ficou pela metade e enquanto eu procurava o lugar certo, tinha que fazer uma força enorme pra não chorar.

Sentei. Senti que não dava mais. Abri a bolsa e peguei um lenço. Ao mesmo tempo, não era uma coisa ruim, porque estava satisfeita com o que tinha acontecido e eu sabia que não ia além dali.

Mas ia.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

04:36

em todas as manhãs
eu espero que você anoiteça.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

parting ways

Sabe, eu fico pensando se você ainda lê isto aqui. E por muitas vezes escondi, deixei de postar muita coisa com medinho de você ainda ler e me julgar por ainda me importar ou algo do tipo.
"Nossa, que ridícula, quase dois anos depois ela ainda escreve sobre mim..."
Mas sabe o que mais? Eu mudei muito e não costumo julgar, mas se você ainda lê, também é ridículo e também se importa.

Então vou escrever e dane-se!

Muitos "aindas" e muitos "serás" têm me atormentado ultimamente. E eu não acho justo! Perder tempo e energia com uma vida que poderia ter sido e não foi.
Mas se quer saber, como eu disse na escada rolante daquele aeroporto:
-"Você está com raiva de mim?"
-"Raiva? Pra você eu guardei o maior amor do mundo..."

E guardei mesmo. E ele ainda é enorme.
Mas sabe o que é? O coração ficou pequeno, pequeno, pequeno...
Não cabe mais.

O que ainda cabia era a dor. Era sublime e depois do seu acidente ficou enorme e não se ajeita mais aqui dentro. Incomoda.

O amor não.




PS: é Pearl Jam.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

verão

janeiro é saudade.
sexta-feira 13 chuvosa também.