sábado, 12 de setembro de 2009

Véspera

E tinha essa moça
E ela era acomodada
E acordava de mau-humor
Todos os dias.
E ninguém a conhecia
E ela era responsável
E era conformada em comer o mundo com colher de sobremesa.

E tinha esse rapaz
E ele era animado
E sorria muito
Para que dele gostassem
E todos o conheciam
E ele era irreponsável
E era satisfeito em comer o mundo com colher de sopa.

E veio aquela festa
E ela de mau-humor
E ele sorriu
E conversaram
Por dias.
E se encontraram
E precisaram se tocar.

Agora ela quase não dorme
E acorda de bom-humor
E ele não quer mais ser conhecido
E nem sorrir senão pra ela
E ela retribui
Sorrindo de cantinho com os olhos vidrados nos dele.

E as mãos nos cabelos
Não se conformam em perder o toque
A conversa não acaba
E eles querem tempo

Porque agora sabem que o outro existe
O outro que veio despretensiosamente
Só por um tempo
E acabou ficando seis meses

E na confusão
Ele só cabe nela
E ela transborda nele
E comem juntos o mundo direto do pote.

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